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21 julho 2023

The end...


Não existe final feliz.
No final todos morrem.
Tudo e ilusório.
Somos vários e temporários.
Uma multidão de solitários.
Estamos morrendo desde que nascemos e esquecemos de apreciar á vista.
Nascemos puros e somos lapidados de acordo com os golpes da vida.
Sofremos pelas coisas intangíveis como se fossemos eternos.
No final tudo retrocede.
Há anos-luz do tempo que supera e transcede.
Ciclos se encerram.
Amores findam.
Paixões anestesiam.
Promessas se tornam vazias.
Palavras perdem a importância.
Caminhos se alternam.
Os amigos se desperçam.
Como andarilhos solitários percorremos todos os caminhos da vida.
Nossa excessiva vivência e consciência demasiada sobre o nosso ser nos obriga á permanecer.
No fim aprendemos a perder.
Nos tornamos lobos frios e solitários.
Ficamos a sós e perplexos com o nosso súbito reflexo.
O que nos resta são lacunas internas,cicatrizes e memórias.
Somos uma peça teatral e no centro desse palco saímos de cena sem o aplauso final.
Lanna Guerra.

17 fevereiro 2022

O que permanece...


 


 

Não são as viagens luxuosas, mas a viagem em família onde o carro avariou e todos tiveram que empurrar e do nada começou a chover…
O que permanece…
Não é a cama king size que ocupa 30% do quarto e aumenta a solidão, mas o beliche onde alguém dormia na parte de cima e as conversas em tom baixo para não acordar o restante do quarto e o riso alto sempre tinha habilidade de escapar
O que permanece…
Não são os milhares de gostos numa foto perfeita, tirada com um telefone perfeito, no momento perfeito, com os filtros perfeitos, mas a foto tremida pela felicidade de um momento único, felicidade sempre chacoalha o ser.
O que permanece…
Não são as declarações de amor públicas feitas para uma plateia, mas o abraço que recebes mesmo quando falhas e erras, quando podes ser tu mesmo na totalidade do teu ser.
O que permanece
Não é voo de helicóptero, mas voar em um balanço amarrado em um galho de infância.
O que permanece
Não é quantidade de pessoas que conheces, mas uma única mas que te acrescente, te faça crescer seja pela dor seja pelo amor.
O que permanece
Não são os carros que conduziste na vida, mas a primeira vez que desceste uma ribanceira de bicicleta.
O que permanece
Não são os pratos da alta gastronomia, mas um almoço comum de domingo na casa da avó.
O que permanece
Não é correr 20 km em uma estrada, mas quando os teus olhos viram os primeiros passos de alguém.
O que permanece
Não são os milhares de beijos ardentes, mas o beijo na testa antes dos olhos do sono serem abertos.
O que permanece
Não é o guarda-roupa com o novo casaco caríssimo, mas a camisa folgada de um amor ausente.
O que permanece
Não são as calçadas das viagens internacionais, mas aquela calçada em que tropeçaste e caíste onde aprendeste a importância da dor.
Só coisas grandiosas não são levadas pelo vento do tempo. Ficam em ti como evolução nos corredores do tempo.
São tesouros mascarados. (Pedro Pio)